Júlio de Matos Photography

REFLEXÃO [back]

HERBARIUM - BLUE PRINTS (1980)


NOTAS DE AUTOR

BREVE HISTÓRIA Este projecto nasceu do desejo de quebrar algumas regras e expandir linguagens conducentes a novas e insuspeitadas possibilidades visuais em fotografia. Foi esta investigação de processos fotograficos alternativos, com e sem prata, que me apaixonou e que prossegui desde 1975. Primeiro com a investigação das possibilidades da Xerografia (copia seca) através das recém aparecidas máquinas de fotocopiar Xerox, Hubix, 3M, etc. Posteriormente trabalhei com Cyanotipos, Castanho Vandyke, a Halloid Xerox Camera, o Polaroid, o Quick Print, o Papel Diazo, etc. Esta exploração conduziu-me mais tarde à pesquisa das novas e revolucionàrias possibilidades do registo digital da imagem, de 1987 a 1990, usando o CCD dos recém aparecidos Desktop Scanners, como “objectiva fotográfica”, ligado a um computador Macintosh.

INFORMAÇÂO TÉCNICA Todos os 15 fotogramas desta série foram feitos com papel convencional diazo, que era usado naquela época por arquitectos e engenheiros para copiar, duplicar e reproduzir os seus desenhos técnicos. Este material foto sensivel podia ser adquirido em caixas de papel no formato A4, semelhante ao que usei, ou em rolo com larguras e comprimentos variáveis. Além de ser usado por gabinetes de projecto, este papel é ainda hoje (1986) utilizado nas Artes Gráficas para fazer "monos", por contacto das saídas em película, onde são feitas as últimas correcções antes da impressão offset. Em Portugal são chamados ozalides, e nos EUA são Blue Prints. Este papel não é sensivel de uma forma igual a todo o expectro luminoso. A radiação com mais poder é a ultra violeta quase no limite do expectro visível. É um papel com caracteristicas positivo/positivo, sendo os resultados monocromaticos e de altocontraste, em tons de azul escuro e azul avioletado escuro. Este papel tem uma sensibilidade de menos de 1 ASA e é revelado em vapores de amoniaco. Sendo um material orgânico, mesmo arquivado nas melhores condições, em quase 35 anos perdeu muita da sua força e côr original. Fiz em 1980 alguns registos em Kodachrome que foram usados para reprodução ou referencia cromàtica. Fica uma ambiguidade resultante do envelhecimento deste material que tràs também em si um certa "beleza"...

O PROJECTO Em ultima análise não foi a tecnologia simples e de cheiro a amoníaco que me conduziu ao corpo de trabalho realizado. Por um lado sendo este um papel muito barato se comparado ao custo do papel fotográfico com prata, numa época em que dispunha de diminutos meios económicos, fez com que o seu uso fosse muito atractivo. Por outro lado já o tinha utilizado com resultados muito belos na exploração da apresentação de trabalhos gerados em fotocopiadoras, tendo como suporte transparências. Foi a gama tonal entre os azuis e os avioletados, às vezes contrastados, outras vezes de uma subtileza luminosa e mate, que me entusiasmou a prosseguir a exploração. A primavera que em Rochester irrompia avassaladoramente, com a energia que me insuflou, e por outro lado com a beleza do jorro de seiva feita cor, me levou a experimentar e desenvolver este projecto de Fotogramas/ Quimigramas. A seiva das plantas e o polém das flores misturou-se com a luz e com a emulsão dos papel diazo, numa prensa de gravura, gerando por vezes num suporte em si monocromático, foto-quimigramas coloridos. O resultado, fruto de uma intensa manualidade e entusiasmo, deu-me um imenso prazer criativo.

Este projecto foi realizado inteiramente em 1980, no RIT, Rochester, NY. Foi exposto pela primeira vez na Galeria JN, no Porto, de 3 a 24 de Junho, em colaboração com o Ciclo de Cultura Americana 1983.

AGRADECIMENTOS

Bea Nettles, pelo encorajamento, apoio, exemplo e amizade, então e sempre…
Floris Neussus, que em 1983 quis incluir uma imagem deste projecto no seu livro sobre fototogramas e fotografia sem câmara…

Júlio de Matos, 2006



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